06 August 2008

Há dias em que não tenho o que fazer. Muitos dias em que não tenho o que fazer. E quando não tenho o que fazer diverte-me ler o que as outras pessoas escrevem sobre a forma como vivem a vida delas. Gosto de blogs pessoais, cheios de alma e de todos os pormenores que ás vezes queremos contar só às pessoas que sabemos que não sabem quem somos ou que vão poder apreciar os pormenores como pormenores que são e não perder meia hora a analisa-los com as mais profundas teorias da psicologia. Há coisas que são só o que são. E há coisas que são mais do que o que são. Nem sempre é fácil distingui-las. Adiante. Encontrei um blog cheio destas deliciosas coisas, de alguém que conhecia alguém que passou aqui e deixou um miminho num comentário. E ler essas coisas deliciosas é bom. Faz-me sempre lembrar e valorizar essas coisas que eu também tenho e também vivo. E depois apetece-me partilha-las sem querer saber quem vai ou não vai ler e quem vai ou não vai analisar aquilo que leu.
Ontem foi um dia bom. Há dias bons e dias menos bons. Também há dias maus. Ontem foi uma daqueles dias, como te disse já a ti, em que sabe tão bem estar contigo que quase dá vontade de não ter estado para agora não custar tanto estar sem ti. De ontem apetece-me recordar, e guardar, os minutos em que me abraçaste no banco da frente do nosso carro. Gosto quando falas assim, das nossas coisas, na nossa vida, no nosso futuro. Apetece-me guardar os beijos todos que me destes. Há dias em que os beijos que me dás são mais doces, tão doces que sinto neles todo o amor que sentes por mim. Apetece-me guardar os silêncios e a forma como manténs os olhos fechado, ás vezes, enquanto chamas por mim, muito baixinho. Há dias em que gostar de ti dói do tamanho que ocupa dentro de mim. Há dias em que quase se toca esse amor que nos une. Ontem foi um desses dias. E depois, há dias, momentos em que me esqueço de apreciar tudo de bom que me dás, assim, de braços abertos. Há momentos em que me esqueço que nada é garantido. Há momentos em que me esqueço que não és mesmo meu, que estás comigo sem correntes. E logo a seguir a esses momentos vêm os momentos em que não me esqueço. Momentos em que me apercebo que não te dei o melhor de mim. Momentos em que não me certifiquei que sabes o que significas para mim. Momentos em que te deixo triste. Momentos em que me apercebo que algo melhor pode surgir para ti se eu não te cuidar como devo. E são os momentos em que quase caio desse abismo que seria ficar sem ti.

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