15 January 2007

Palavras soltas

Perdi-me numas caixas hoje. Algo me levou a encostar uma cadeira ao armário e tirar do seu canto mais escuro aquelas caixas. O cheiro a pó já se apoderou delas. Parece que foi ontem que lá guardei as coisas. Cartas, postais, conversas, memórias. Pensamentos, sentimentos, objectos. Amores, paixões, amizades, espalhadas em cada página escrita, em cada desenho esboçado.
Que estranho, voltar àquele mundo. Tantas amizades perdidas, tanta saudade. Tantos amores fracassados, tanta esperança, tanta força, tanta fé. Na vida, no amor eterno, na amizade eterna. Tanta inocência.
Conversas nas aulas, as cartas de amor que escrevi, textos e textos de sentimentos meus, amor, tristeza, desespero. A capacidade que eu tinha de amar, de entrega. Coisas que não voltarei a sentir mas que agora me lembro tão bem!
A declaração de amor que fiz em teu nome Daniel! Será que ainda te lembras disso? O papel da chiclete que me deste...o teu isqueiro Vítor, e aquele postal lindo que me escreveste. Na altura em que eu anda era a tua gata. Junto com as pedras que apanhei na praia, no dia em que fiz 17 anos, lembraste dessa noite? A carta que pôs a nossa amizade em pausa Hugo, na altura que ainda eras o Raisen... e eu era a tua Mary... a festa de anos da Carolina, lembraste disso? De quando dançamos juntos?
Tanta inocência, tanta ânsia, tanto sentimento à flor da pele. Tanta saudade. Quantas vezes achei que ia morrer... mas era mais fácil ser feliz nessa altura...

Mas também passei pela outra caixa. Tens uma caixa só para ti, achei que merecias. E, não sei se felizmente, lembrei-me. As coisas não eram perfeitas, havia muita coisa a melhorar, mas lembrei-me de quando fomos felizes juntos. As fotos debaixo de água no Algarve, lembraste? As cartas que me escrevias, sabias como me fazer chorar, sabias o quão lamechas eu era... As fotos que tiramos no meu quarto, eras tão meigo para mim...já não me lembro do teu cheiro. De alguma forma isso faz-me sentir-te tão distante no tempo.
Custou um bocadinho chegar à conclusão que estava errada, que fomos felizes. Mas sabes, a aliança já não me serve. Nem no polegar. Acho que isso ajudou.

2 comments:

Anonymous said...

Uau...

invisible me said...

Nem sei o que é que isso quis dizer, mas é sempre bom saber que ainda andas por aí..