O acordar tornou-se mais rápido nos últimos tempos. É sempre assim quando a vida se torna confusa. Sente o corpo pesado e a mente parece que trabalha a noite toda. Nunca sabe se há-de acordar feliz ou miserável. São os únicos sentimentos que conhece. Não que importe muito o sentimento com o qual acorda, sabe que não vai durar.
Quando acorda bem faz-se forte. Encara a vida de cabeça erguida. Consegue ver no espelho algo de que gosta. Consegue encontrar na alma alguém de quem se orgulha. Encara a vida como uma evolução constante. Cuida-se.
Quando acorda mal acorda derrotada. Volta ao que era por ser mais fácil. Evita o espelho e vai à varanda acender um cigarro. Ontem tinha deixado de fumar. Ontem tinha deixado o álcool e o sexo. Hoje até a simples fricção da camisa no peito a incomoda. Vai passar mais um dia à procura de algo ou alguém que a satisfaça. Vai olhar para cada pessoa, cada colega com quem se cruzar, analisando-lhe os potenciais e deixando-se levar por fantasias. Cansou-se da meiguice dos homens. Procura algo rápido e brusco. Arrebatador e agressivo como a dor que lhe acerta cada vez que um deles lhe esfaqueia a alma. No final do dia, naquela cama enorme e vazia, sabe que o prazer chegará pela forma das mesmas mãos que ultimamente lhe percorrem o corpo numa redescoberta constante de cada ponto – as suas.
22 July 2010
28 June 2010
25 June 2010
Há dores fáceis de chorar. Dores fáceis de compreender. Dores fáceis de entender. Quando algo que se conhece morre é fácil partilha-lo. E ao partilha-lo é mais fácil supera-lo. Liberta-lo.
Quando um mundo só nosso morre essa partilha com o exterior parece de alguma forma impossível. Sentimos necessidade de chora-lo como sempre o vivemos, sozinhos. O simples facto de partilhar o seu fim implicaria ter de explicar o seu inicio, o seu caminho, a sua essência. E há coisas que não se explicam, porque não seriam compreendidas.
Ninguém estava lá em todos os momentos que rimos juntos, ninguém estava lá em todos os momentos que choramos juntos, ninguém estava lá em todos os momentos em que lutamos para que o sentimento que nos une chegasse. Ninguém estava lá na noite de 8 de Dezembro. Ninguém nos viu crescer nem evoluir. Ninguém nos conhece, ninguém nos sabe. E hoje, mais ninguém nos chora.
Quando um mundo só nosso morre essa partilha com o exterior parece de alguma forma impossível. Sentimos necessidade de chora-lo como sempre o vivemos, sozinhos. O simples facto de partilhar o seu fim implicaria ter de explicar o seu inicio, o seu caminho, a sua essência. E há coisas que não se explicam, porque não seriam compreendidas.
Ninguém estava lá em todos os momentos que rimos juntos, ninguém estava lá em todos os momentos que choramos juntos, ninguém estava lá em todos os momentos em que lutamos para que o sentimento que nos une chegasse. Ninguém estava lá na noite de 8 de Dezembro. Ninguém nos viu crescer nem evoluir. Ninguém nos conhece, ninguém nos sabe. E hoje, mais ninguém nos chora.
23 June 2010
09 June 2010
Porque há coisas que não se dizem no Facebook
(ATENÇÃO - este é um daqueles posts que quando chegar ao fim pode desejar não o ter lido)
Uma pessoa tem de por a mão na consciência e pensar no que anda a fazer da vida quando, numa dessas semanas difíceis, se dá conta da dificuldade (e da dor) resultante da simples colocação de um tampão. À que tomar medidas.
Uma pessoa tem de por a mão na consciência e pensar no que anda a fazer da vida quando, numa dessas semanas difíceis, se dá conta da dificuldade (e da dor) resultante da simples colocação de um tampão. À que tomar medidas.
03 June 2010
Desabafos
Que me perdoem, mas eu sou mesmo assim, quando alguma coisa me anda a chatear eu tenho mesmo necessidade de deita-la cá para fora, de que forma for, senão vou andar meses a pensar nisso. Deixa-la escrita é sempre uma boa forma.
À coisa de 5 anos eu abri mão de um grande amigo. A nossa relação tinha chegado ao fim e por respeito àquela que era agora uma das pessoas mais importantes na vida dele deixamos cair por terra aquilo que tínhamos. Quando uma relação acaba as coisas são complicadas de manter, seja a que nível for, mas mais cedo ou mais tarde é natural que se volte a encontrar naquela pessoa o amigo e companheiro que se teve durante anos. Principalmente quando são coisas que duraram algum tempo.
Eu conheço bem as inseguranças de uma relação, principalmente de uma relação nova e fresca e por respeito a isso aceitei os termos e condições. Hoje apercebo-me que o problema não era eu ser ex-namorada dele. O grande problema era eu ser muito melhor pessoa do que tu. Não há muitas coisas na vida que me deixem realmente fodida. Mas ver pessoas a virar as costas a gente decente em momentos difíceis, fode-me. E o que me fode mais é que eu não tive a oportunidade de estar presente nesse momento por tua causa, minha cabra. E tu, que tiveste esse privilégio, tiveste a distinta lata de lhe virar as costas.
Tenho dito.
À coisa de 5 anos eu abri mão de um grande amigo. A nossa relação tinha chegado ao fim e por respeito àquela que era agora uma das pessoas mais importantes na vida dele deixamos cair por terra aquilo que tínhamos. Quando uma relação acaba as coisas são complicadas de manter, seja a que nível for, mas mais cedo ou mais tarde é natural que se volte a encontrar naquela pessoa o amigo e companheiro que se teve durante anos. Principalmente quando são coisas que duraram algum tempo.
Eu conheço bem as inseguranças de uma relação, principalmente de uma relação nova e fresca e por respeito a isso aceitei os termos e condições. Hoje apercebo-me que o problema não era eu ser ex-namorada dele. O grande problema era eu ser muito melhor pessoa do que tu. Não há muitas coisas na vida que me deixem realmente fodida. Mas ver pessoas a virar as costas a gente decente em momentos difíceis, fode-me. E o que me fode mais é que eu não tive a oportunidade de estar presente nesse momento por tua causa, minha cabra. E tu, que tiveste esse privilégio, tiveste a distinta lata de lhe virar as costas.
Tenho dito.
28 May 2010
Há uma coisa sobre a qual me ando a debruçar já à alguns dias: este estranho hábito que temos de desejar parabéns às pessoas.
Começa com os aniversários. "Mais um anito, parabéns!" Esperem lá. Parabéns porquê? Que mensagem é que estamos a tentar passar aqui? Parabéns, conseguiste sobreviver mais um ano? À não sei quantos anos atrás foste concebido com sucesso? Não faz sentido. Pelo menos antes dos 40 não faz sentido. A partir dessa idade ainda concordo com isso! Há mérito em sobreviver! Há mérito em manter a tensão arterial e o colesterol baixo. Agora antes dos 40 uma pessoa só tem de se lembrar de se alimentar. Há mérito nisso? Não.
No que diz respeito a aniversários nas relações, aí sim, já há mérito. Aniversário de namoro, de casados, aniversários mesmo de amizades. Há mérito! Parabéns pela tua paciência! Conseguiste manter essa pessoa na tua vida. Dá trabalho! Merece celebração. Parabéns pah!
Começa com os aniversários. "Mais um anito, parabéns!" Esperem lá. Parabéns porquê? Que mensagem é que estamos a tentar passar aqui? Parabéns, conseguiste sobreviver mais um ano? À não sei quantos anos atrás foste concebido com sucesso? Não faz sentido. Pelo menos antes dos 40 não faz sentido. A partir dessa idade ainda concordo com isso! Há mérito em sobreviver! Há mérito em manter a tensão arterial e o colesterol baixo. Agora antes dos 40 uma pessoa só tem de se lembrar de se alimentar. Há mérito nisso? Não.
No que diz respeito a aniversários nas relações, aí sim, já há mérito. Aniversário de namoro, de casados, aniversários mesmo de amizades. Há mérito! Parabéns pela tua paciência! Conseguiste manter essa pessoa na tua vida. Dá trabalho! Merece celebração. Parabéns pah!
11 May 2010
23 April 2010
Amor em tempos de guerra
Vamos deixar passar o tempo por nós. Ganhar certezas. Ou serão antes expectativas?
Faz aquilo que sentes, vive com impulso. Mas sufoca-o, só um bocadinho. Antes aprende-me. Deseja-me. Lê-me. Vive-me. Vive-me até perder o encanto. Vive-me até cansar. Aí, se a vontade em ti for forte, espera. Espera por um dia mau. Espera por um dia triste. Por um dia difícil.
Decide então se mesmo assim te fascino. Decide se mesmo assim gostas. Se mesmo assim queres. Se ainda desejas. Então, se sim, pede-me. Se sim, cuida-me.
Faz aquilo que sentes, vive com impulso. Mas sufoca-o, só um bocadinho. Antes aprende-me. Deseja-me. Lê-me. Vive-me. Vive-me até perder o encanto. Vive-me até cansar. Aí, se a vontade em ti for forte, espera. Espera por um dia mau. Espera por um dia triste. Por um dia difícil.
Decide então se mesmo assim te fascino. Decide se mesmo assim gostas. Se mesmo assim queres. Se ainda desejas. Então, se sim, pede-me. Se sim, cuida-me.
22 April 2010
I have music in my life
As pessoas que me conhecem um bocadinho sabem, a musica para mim é uma forma de viver. Preciso de musica para fazer quase tudo na vida e dependo dela para superar muita coisa.
É uma forma de expressão deliciosa e subtil. Tem a capacidade de nos alterar o humor e de nos dar a sensação de não estarmos sozinhos naquilo que sentimos. Seja pela melodia ou pela letra, gosto quando uma musica mexe comigo e tenho a minha vida coberta de uma banda sonora muito própria.
Cada paixão na minha vida tem uma musica. Cada pessoa. Cada momento. Cada lágrima. Sou transportada com facilidade para outro mundo com os primeiros acordes de uma guitarra ou de um piano.
Mas apercebi-me hoje que tenho musicas para as quais ainda não arranjei momentos. São musicas que me levam para alturas da minha vida em que achava que nada do que vivia era digno de memoria, então adiava as recordações. São musicas que me enchem de vazio. De apatia. Entristece-me ter momentos assim na vida, em que fica tudo em suspendo de um momento melhor que seja digno de memória. Mas a verdade é que parece que cada momento digno de memória acaba. E com o fim de coisas boas fica sempre um bocadinho de mágoa. Queria memórias daquelas que duram para sempre. Com musicas que, cada vez que tocam, sorriem para mim.
É uma forma de expressão deliciosa e subtil. Tem a capacidade de nos alterar o humor e de nos dar a sensação de não estarmos sozinhos naquilo que sentimos. Seja pela melodia ou pela letra, gosto quando uma musica mexe comigo e tenho a minha vida coberta de uma banda sonora muito própria.
Cada paixão na minha vida tem uma musica. Cada pessoa. Cada momento. Cada lágrima. Sou transportada com facilidade para outro mundo com os primeiros acordes de uma guitarra ou de um piano.
Mas apercebi-me hoje que tenho musicas para as quais ainda não arranjei momentos. São musicas que me levam para alturas da minha vida em que achava que nada do que vivia era digno de memoria, então adiava as recordações. São musicas que me enchem de vazio. De apatia. Entristece-me ter momentos assim na vida, em que fica tudo em suspendo de um momento melhor que seja digno de memória. Mas a verdade é que parece que cada momento digno de memória acaba. E com o fim de coisas boas fica sempre um bocadinho de mágoa. Queria memórias daquelas que duram para sempre. Com musicas que, cada vez que tocam, sorriem para mim.
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